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Lançamento | Olívia de Amores: Não é Doce

“Não é Doce” é o nome do primeiro disco solo de Olívia de Amores. O trabalho é um processo de transformação: a transposição do emocional para a canção. As dores, os afetos e o não romântico tudo em uma forma única e linda sendo guiada pela voz de Olívia de Amores.
Foto Divulgação por David Martins

Não é Doce” é o nome do primeiro disco solo de Olívia de Amores. Manauara, a cantora se apresentou para o cenário musical amazonense participando do trio Anônimos Alhures, com quem tocou e cantou por 10 anos.

Remexendo em canções que estavam guardadas desde a adolescência, Olívia percebeu que tudo que viveu até ali não bastava.

Algo estava para transbordar e precisava ser colocado para fora de alguma forma, ainda mais após sequenciais perdas de pessoas que significavam muito a ela: sua bisavó, uma amiga, um longo relacionamento.

Havia necessidade de tentar organizar aquele embaralho de sentimentos fortes que, provavelmente, eram difíceis de lidar e entender. A forma de transbordo veio através da sua maior afinidade: a música.

O resultado não foi apenas esse disco, foi além. E vamos contar um pouquinho.

Capa do Disco por David Martins

Ao lado de Bruno Prestes, que produziu o disco, Olívia de Amores focou no estúdio, trabalhou em suas canções e também aprendeu novos instrumentos.

As músicas que vieram desse processo são reflexo da sombra emocional vivida nos últimos tempos, por isso perdas, dores e esperança são retratadas em cada uma das faixas.

A sonoridade se balanceia pela delicadeza fazendo contraponto à guitarra sempre presente, mas em diferentes tons.

É uma maturação do trabalho que veio junto ao amadurecimento pessoal, entendendo que amores nem sempre são românticos, como Olívia mesmo disse: “Amores não são – sempre – doces: envolvem luto, raiva e movem as pessoas a renascer, ressignificarem-se”.

Paralelamente, a compositora passou a traduzir as interpretações das músicas em imagem, exercitando atividades de direção e roteiro com o produtor audiovisual Thiago Looney e a produtora Zenistesia.

Assista ao clipe da canção Só Vamo

Além do disco “Não é Doce”, Olívia de Amores também desenvolveu um projeto multimídia com clipes para todas as faixas (já são 7 lançados – todos dirigidos pela artista), um game para celular da música/clipe “Só Vamo” (disponível no Google Play) e um curta-metragem (em breve).

Link para o baixar o game Super Maria Sis https://bit.ly/2UZUhwH

Durante a produção do disco, Olívia de Amores ocupou todas as frentes do processo criativo, tocando todos os instrumentos presentes e tratando da parte visual do álbum.

A masterização ficou por conta do vencedor do Grammy Steve Fallone (The Strokes, Tame Impala, Kacey Musgraves).

Não é Doce” é um processo de transformação: a transposição do emocional para a canção. As dores, os afetos e o não romântico tudo em uma forma única e linda sendo guiada pela voz de Olívia de Amores.

Ficha técnica:
Musicista/instrumentista: Olívia de Amores
Participações: chimbais e surdo em Post-it Leonardo Pimentel backing/coro em Plano Baixo: Bruno Prestes e Érica Tahiane
Produção e mixagem: Bruno Prestes
Masterização: Steve Fallone
Capa: David Martins
Assistente de fotografia e maquiagem: Lilian Cavalcante

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Ouça o Disco:

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Faixa-a-faixa, por Olívia de Amores:

01) La Cancionera: é a expressão mais óbvia da influência latina no álbum, o ápice da diversidade enquanto artista. Um discurso menos rebuscado sobre amor, uma linguagem simples, coloquial e sincera, como é natural nos bregas nortistas. Ao mesmo tempo, uma agressividade feminina, traduzida no rock largado no refrão e solo. 

Veja “La Cancionera”: https://youtu.be/YD6DQ2j30xU

02) Post-it: tem uma alma saudosista, uma característica que se relaciona com o synth e guitarra oitentista. “Não vai esquecer de mim” é um pedido desesperado, ao mesmo tempo que é uma afirmativa segura direcionada a alguém e, enfim, um apelo por amor próprio.

Veja “Post-It”: https://youtu.be/7eLtFfF8_k4

03) Segunda-feira: é a canção do disco. Simples e rotineira como dirigir pela cidade, lembrando de alguém enquanto toca uma música no rádio. Uma balada que nasce acústica, caminha pra uma pista de dança em um ambiente eletrorrock e termina em arranjos de guitarra shoegaze.

Veja “Segunda-Feira”: https://youtu.be/VNnLxo2x_Pc

04) Plano Baixo: trata de um relacionamento na meia-idade, em que a paixão esfria e, para que resista ao tempo, há que se refletir sobre temas como fidelidade e liberdade. Voar em plano baixo é ser livre sem partir. Mas remodelar um relacionamento também é despedida, é deixar ir, como demonstra o vídeo dessa música.

Veja “Plano Baixo”: https://youtu.be/z8zwx-HsT2w

05) SANKYU: é um consolo para quem perde um ente querido, especialmente os avós, que têm passagens rápidas e transformadoras em nossas vidas. Esse consolo se dirige em especial a pessoas que não têm crença religiosa e precisam de conforto, para além da espiritualidade. Por isso, argumentos científicos, pragmáticos e lógicos preenchem de esperança os refrões de SANKYU.

Veja “Sankyu”: https://youtu.be/Zwtxpe6yCps

06) Só Vamo: a única música inteiramente feliz de Olívia de Amores, rápida como a adrenalina que acontece quando se apaixona. 

Veja “Só Vamo”: https://youtu.be/DWFB2DUAubcO

07) Abisso: é um estado de espírito. É, primeiramente, notar sentimentos bizarros dentro de si e se perceber uma criatura que habita o abisso oceânico: feia, em meio a um ambiente inóspito e frio, sob extrema pressão. E, ao fim dessa experiência de autoconhecimento, emergir pra luz.

Veja “Abisso”: https://youtu.be/QG7oXa3STEM

08) Mana: é sobre empatia, amizade, depressão e sororidade. Perder uma pessoa amada para a depressão inevitavelmente incute reflexões sobre como ser mais útil e presente para alguém que sofre ou, quando nada disso funciona, apenas entender a dificuldade de “sentir e ser”.

09) Janela Remota: é um roteiro musicado. Fala de alguém que, pela forma poética que trata o amor, é interpretado como um romântico. Aos poucos, revela-se a obsessão de um observador que enquanto fantasia amores inatingíveis por uma estranha, negligencia a companheira omitida na narrativa.

10) Brado Apocalíptico: Por que temer o fim do mundo, se cada um de nós viverá um apocalipse pessoal, uma morte em hora e local específicos? Um brado é um grito repetitivo mantido durante marcha, uma forma corajosa de caminhamos pro fim. Nesse percurso, nós atuamos nossas vidas, o que não necessariamente é ruim: “a atriz não mente, a atriz vive a ficção”. O que é ficção na tela e no palco, pode ser realidade para outras pessoas e, assim, a atriz chora e sente hipotéticas emoções. É difícil diferir as partes da nossa vida que a gente viveu e que a gente atuou. Ser valente, por exemplo, pode ser algo inato e espontâneo, mas, diante de uma situação em que alguém se sente incapaz de lida, também pode ser uma atitude atuada, um mecanismo de resistência – o que é igualmente válido e lindo. 

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