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Resenha | Tatá Aeroplano: Delírios Líricos

Mergulho na psicodelia de uma mente alucinada, e por vezes melancólica, “Delírios Líricos” escancara uma alma, uma caixa de pandora à beira da sombra dos sentimentos que ressurgem com uma ponta de esperança de que tudo irá passar.
Foto Divulgação por Luiz Romero

Delírios Líricos” é o nome do mais novo disco de Tatá Aeroplano.

Um pouco mais de 1 ano e meio depois de lançar o álbum “Alma de Gato” (2018), meu disco preferido do músico, ele apresenta mais um trabalho denso, mas com a musicalidade e a essência única que marca sua carreira.

Tatá Aeroplano sempre foi um músico ímpar para mim. Desde que ouvi suas músicas pela primeira vez lá por 2015, eu sempre senti uma energia muito boa. Às vezes com certa estranheza, mas o fato de ser distinto talvez fosse o que mais me agradava.

Tudo era sempre tão límpido e lúcido. E continuou assim. Apesar do nome “Delírios Líricos”, Tatá é capaz de escrever mensagens lindas e profundas até mesmo nas entrelinhas. Para mim é impossível ouvi-lo e não compara-lo à grandes mestres como Sérgio Sampaio, Jorge Mautner, Jards Macalé e Tom Zé.

O disco percorre caminhos embaralhados em meio às ruas da cidade em dias de coração apertado, saudades, tristeza. Ou no quarto, à janela, com o copo ao lado, o pensamento longe, ingestão de psicotrópicos e então “Delírios Líricos”.

Capa do disco por Luiz Romero

Reflexões de peito aberto, muito aberto. De uma noite de julho, depois de uma dose de Pisco, Tatá pegou seu velho companheiro de composições e aos poucos foram surgindo duas músicas: “Alucinações” e “O Silêncio Das Serpentes“.

O despir que leva à nudez de palavras cruas, frias e melancólicas de canções que permeiam o imaginário, ou a vida real, do cantor. Não existe medo de se expressar, expor as entranhas, o profundo da mente.

“Sinto que algumas músicas conversam com o momento que estamos vivendo, talvez pelo fato de terem sido criadas num momento que eu mergulhei fundo na introspecção”. “Semanas antes de lançar o disco eu fiquei lembrando de algumas letras que batem com esse momento atual, são muitos sentimentos juntos. Quando entramos em quarentena eu fiz essa conexão com as canções logo de cara.” Disse Tatá em entrevista ao Trabalho Sujo.

A poluição urbana que assola ao caminhar, ao olhar pela janela, parece que foi transpassada para algumas músicas em formas de distorções por sintetizadores que deixam ruídos sonoros, mas não para obscurecer, e sim elucidar nossa compreensão do que suas músicas são capazes de fazer quando chegam aos ouvidos.

Das 9 faixas do disco, apenas uma não é composição de Tatá Aeroplano: a canção “Ressureições”, de Jorge Mautner, ganhou uma nova versão modernizada.

Ouça a Canção Ressureições

Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque foram para o Estúdio Minduca e gravaram o álbum junto com Tatá. Bárbara Eugênia e Malu Maria, parceiras de longa data do artista, também marcaram presença neste novo trabalho.

Mergulho na psicodelia de uma mente alucinada, e por vezes melancólica, “Delírios Líricos” escancara uma alma, uma caixa de pandora à beira da sombra dos sentimentos que ressurgem com uma ponta de esperança de que tudo irá passar.

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