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Resenha | niLL: Good Smell, Vol. 2

“Good Smell, Vol. 2” traz dois universos: a nova sociedade que sofreu profundas transformações vividas pela personagem principal e o novo ambiente sonoro com as explorações musicais de niLL. É um macrocosmo rico em harmonias, beats, linhas instrumentais, sintetizadores e histórias envolventes de duas novas faces: de Lilith e niLL.
Foto Divulgação por mendesculpa

Good Smell, Vol. 2” é o mais novo álbum do rapper jundiaiense niLL, lançado hoje (28) pelo selo Sound Food Gang. Depois de “Negraxa” (2016), o aclamadíssimo “Regina” (2017), “Good Smell” (2018) e o extraordinário “Lógos” (2019), a expectativa estava muito alta, inclusive a minha, e só posso dizer que ficou foda demais.

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Uma sociedade utópica onde as mulheres são a imensa maioria da população e, devido a isso, os avanços tecnológicos, comportamentais e em todos os aspectos da civilização transformaram o mundo em um lugar melhor. Elas chegaram ao poder e souberam usar ele muito bem. Este é o contexto.

Em meio a essas mulheres está Lilith, que tinha 15 anos quando as mudanças começaram (depois de um terrível episódio conhecido como Change Day, onde cerca de 30% dos cidadãos foram mortos, sendo a maioria dos exterminados do sexo masculino). Mas hoje, com 25, está adulta, madura e com vontade de sair em aventuras em busca de outras pessoas que compartilham dos mesmos princípios. Esta é a personagem.

Good Smell, Vol. 2” é uma linda viagem na pluralidade sonora. É incrível como todas as formas de influências se misturam tão bem em uma sonância única. Temos toques de jazz se entrelaçando com lounge, house music e pop trazendo uma atmosfera dançante, além dos beats clássicos do niLL (tão marcantes no álbum “Regina”), sendo acompanhados por uma linha de baixo muito foda. Que trampo fudido de bom.

A segunda faixa de “Good Smell, Vol. 2” é um espetáculo à parte. É como se niLL e seus beats fossem acompanhados por uma big band de jazz carregada de metais para homenagear Sister Rosetta Tharpe, gigantesca cantora e guitarrista que se tornou a precursora do rock ao misturar blues e country music com suas letras de gospel. Vida longa à memória e legado de Rosetta!

Ouça o disco no Youtube

O vaporwave, tão marcante nos trabalhos anteriores de niLL, continua presente, mas não em destaque. O espaço foi aberto e outras sonoridades chegaram, deixando o disco extremamente completo e versátil. A faixa “Maria Firmina”, por exemplo, traz o funk à tona, algo que o rapper e produtor ainda não havia explorado.

Eu venho testando essa mistura do funk tamborzão com o new wave, tem muito disso na mixtape. Acho que as duas coisas casaram muito, também é um ponto de unir as duas tribos”, diz o artista. 

Eu achava que “Lógos” não seria tão bom quanto “Regina”, mas foi.

Eu não achava que “Good Smell, Vol. 2” seria tão bom quanto seus antecessores, e novamente eu estava errado. Já deixo aqui meu pedido de desculpas ao niLL, você se supera a cada novo trabalho, tu é foda cara, máximo respeito!

O Disco

Capa do disco por Bru Yeah

Good Smell, Vol. 2” é a continuação de “Good Smell”, e desta vez descobrimos a face de Lilith, que no trampo anterior era representada na capa apenas com seu braço biônico e seu outro braço humano. E como no primeiro álbum, os títulos das músicas são novamente homenagens a grandes mulheres, como Evelyn Dove, Rosetta Tharpe, Tia Ciata e até Dorothy Vaughan, primeira mulher negra a ser promovida chefe do departamento de pesquisas da NASA.

São várias personalidades que admiro, me identifico, muitas são da música. Tem a Tia Ciata, que foi fundamental para o surgimento do samba carioca. Também coloquei o nome da protagonista em uma das faixas, já que não tinha feito isso no volume um”, explica niLL.

A identidade visual é outro espetáculo, quem ficou a cargo de fazer o trampo da capa e todo o encarte foi Bru Yeah, mulher preta, artista visual, produtora e designer de moda e grafiteira. Ela faz de tudo e tudo faz muito bem.

Contracapa do disco por Bru Yeah

Não é apenas no universo criado para o disco que as mulheres ganharam o poder, em “Good Smell, Vol. 2” elas também têm papel fundamental. Além de Bru na parte visual, niLL convidou três mc’s incríveis para cantar: Alt Niss na faixa “Evelyn Dove”, Bivolt na música “Dandara” e Ashira na canção “Dorothy” (que foi lançada previamente como single do disco).

Com produção executiva feita pela Tomada Cultura, a gravação do álbum foi contemplada através do edital do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. Os instrumentais são de Ryam Beatz, Soundflex, Tan Beatz e O Adotado, além da linha de baixo feita por Jazzkey na faixa “Dorothy”. A mixagem e masterização é de Ramiro Mart.

Good Smell, Vol. 2” traz dois universos: a nova sociedade que sofreu profundas transformações vividas pela personagem principal e o novo ambiente sonoro com as explorações musicais de niLL. É um macrocosmo rico em harmonias, beats, linhas instrumentais, sintetizadores e histórias envolventes de duas novas faces: de Lilith e niLL.

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