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Lançamento – Álbum | Cat Vids: Radicalíssimo

“Radicalíssimo” é como uma brisa que você sente quando está na janela. Tem hora que é agradável. Tem hora que é um emaranhado de coisas como quando o vento vem com a poluição. Tem hora que vem forte como um vendaval que te leva pra viajar, neste caso, numa sonoridade alucinante e desvairada.
Foto Divulgação

Radicalíssimo” é o nome do primeiro disco de Cat Vids.

O novo álbum trata-se de uma espécie de evolução do primeiro trabalho, “Radical” (2017), e traz composições em português, na sua maioria, o que “dá mais personalidade para o projeto como um todo”, comenta Pedro Spadoni (vocalista, guitarrista e idealizador do projeto).

Agora Cat Vids é uma banda, e não mais um projeto solo. Além de Pedro, completam o time Paulo Senoni (guitarra), Aecio de Souza (bateria) e Tiago França (baixo).

Um discaço!

Você é arrebatado logo no começo com todo o ritmo de guitarras aceleradas que adentram tão freneticamente em nossos ouvidos e vão tomando conta de tudo. Quando você percebe já está com os pés balançando junto à música, e tome cuidado se estiver no transporte público, certamente já estará dançando em pé e chamando todas as atenções.

Radicalíssimo” também é assim: retém toda a atenção. Que rock bom de ouvir. Quando dei play a primeira vez já senti a vibração do que o disco seria capaz de passar. Aos poucos isso foi se confirmando e eu não consegui mais parar de ouvir.

O álbum é incrível, consegue flutuar por sonoridades envolventes e nos pegar de jeito com todo o aspecto divertido e irreverente das letras. Pedro Spadoni acertou em cheio.

Apesar de manter a essência estética de Radical, há mais variação de timbres, utilização de synths e arranjos em geral. Isso se deve tanto ao fato de as músicas já estarem sendo tocadas ao vivo há um tempo, como ao direcionamento de produção de pensar cada faixa individualmente, buscando timbres, efeitos e mexendo até nas peças de bateria faixa a faixa”, conta Pedro.

O Projeto

Para dar início ao lançamento do disco, a banda Cat Vids produziu a minissérie “Como Gravar Um Álbum de Sucesso”, lançada no primeiro semestre, que estreou junto com o primeiro single do disco, “Dress Code”. Depois de cinco episódios, ela chegou ao fim e foi quando a banda revelou a segunda faixa: “Cingarro”. Neste embalo veio “Já Chorei”, no início de agosto.

Assista à websérie:

O Disco

Capa do Disco por Arthur D’Araujo

Agora com banda, Pedro Spadoni entrou no Estúdio Aurora em São Paulo e gravou o disco num período de oito dias – foi quando os integrantes conviveram com a produtora Alejandra Luciani: “A participação da Alejandra foi essencial também para ajudar a viabilizar as ideias sonoras que tivemos para cada música. Ela acabou co-produzindo o disco com a gente, indo além de ser técnica de som”, relembra o vocalista.

Além de Alejandra, a produção de “Radicalíssimo” também contou com os integrantes da banda, Pedro e Paulo (que também fez a mixagem), e Fernando Sanches (El Rocha – responsável pela masterização. O disco é um lançamento pela Schwreables Records.

Radicalíssimo” é como uma brisa que você sente quando está na janela. Tem hora que é agradável. Tem hora que é um emaranhado de coisas como quando o vento vem com a poluição. Tem hora que vem forte como um vendaval que te leva pra viajar, neste caso, numa sonoridade alucinante e desvairada.

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Encontre a Banda:

Ouça o Disco:

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Leia o Faixa-a-faixa

Por transmitir bem a aura divertida da banda, Mayday foi escolhida tanto como faixa de abertura do disco como para ser o tema da minissérie Como Gravar Um Álbum de Sucesso. “Ela tem cara de trilha sonora mesmo, por mais que sempre tenham me falado que no geral as músicas da Cat tenha cara de trilha de filme (risos). Ela abre o disco também por apresentar a nova proposta de letras em português, misturado com inglês em alguns momentos”, comenta Pedro. E continua: “A letra de Mayday fala basicamente de relacionamentos atuais que começam no virtual e podem gerar muita frustração quando passam pro ao vivo. No contato pelo “celular” muitas vezes são duas personas construídas se conhecendo, que podem muitas vezes não são materializadas como em nossas expectativas. E a gente cria umas expectativas muito loucas, né? Não que eu já tenha passado por isso…. (sim, demais)”. Já o instrumental soa como um indie 2000, mesmo que tenha surgido a partir de referências mais modernas, como No Vacation e Hockey Dad.

Cingarro foi a primeira faixa composta em português, “basicamente porque eu tinha passado por uma frustração (risos), e queria escrever em pt pra que ficasse bem claro que eu estava muito triste com a situação. Aí achamos legal e trocamos tudo o que tinha antes para português. É uma música bem surf-rock, com bases meio White Stripes misturadas a um baixo “forró-surf” (rs) – o Tiago usou linhas de forró como base de fato, riffs do Paulinho puxando pro 8-bit e uma bateria bem surf do Aecio”, diz. Já a estética de video game acaba sempre aparecendo em alguns timbres de guitarra e synth, principalmente.

Mantendo a onda surf-rock do disco, Bebe Demais puxa um pouco mais para referências como Fidlar e Bleached, com a adição de diferente tipos de synths aos arranjos. “Ela surgiu de uma brincadeira com minha amada amiga Mari, que reclamou (seu hobby é reclamar) que não tinha uma música pra ela, e eu fiz essa pra ela ali na hora (risos). A ideia da letra é desmistificar essa cultura popular de incentivo ao consumo alcoólico, sabe? Dá pra se divertir com responsabilidade. Às vezes acontece, tudo bem… mas não precisa. É que eu tenho uns amigos que, tá louco, não param nunca (rs). A Mari hoje é mais responsável eu acho. Mas tem ótimas histórias”, conta.

A faixa que vem a seguir é Ash Ketchum e tem participação da Brvnks, grande amiga de Pedro. “Então, essa música foi o motivo da Mari ter reclamado de não ter uma música pra ela, porque eu tinha feito essa antes pra Thamara, outra amiga querida. Ash Ketchum surgiu de um dia que a Thata chegou me contando muito brava que o namorado dela enchia o saco pra ela jogar os mesmos jogos que ele mas era super competitivo não deixando ela se divertir. Concordo! Thata é uma rainha e deve ser tratada como tal. Como eu e Bruna (Brvnks) somos muito amigos, já havíamos combinado dela participar de alguma faixa, e nessa faltava uma graça na melodia dos vocais. A Bruna fez na hora ali as melodias dos backings e já ficou bem legal! Ah, o nome… é porque o jogo que eles jogavam era Pokemon (rs). E tem uma brincadeira com spider-man no meio porque a batida da guitarra simplesmente pedia, por conta da música do Ramones, e o Paulinho sempre fazia isso na voz ou na guitarra. Aí gravamos essa “homenagem” (rs)”.

Foto Divulgação

Dress Code foi o primeiro single do disco por ser uma boa apresentação da proposta como um todo do álbum, já que é alto-astral, mistura o português com o inglês e carrega tanto referências de surf em alguns efeitos como tem um bpm intermediário entre o começo e o fim do disco. A faixa mistura violão com guitarras nos arranjos e teve a participação de Alejandra, que assina como técnica de som, fazendo backing vocals no “refrão”, “entre aspas pois é um refrão que só aparece uma vez, mas tem estrutura de refrão”, comenta Pedro. Sobre a sonoridade da faixa, Pedro conta que, “comparada com as outras, é de fato uma faixa mais tranquila, tanto que é a primeira vez que você vai ouvir um violão no disco”. Além disso, quanto aos sons que estava ouvindo na época de compor, ele revela: “quando eu escrevi Dress Code, andava ouvindo bandas como Pope e Modern Baseball, então ela acabou carregando esse tipo de referência sonora. Mas no fundo sempre existem referências de clássicos do indie como Pavement e Pixies, e creio que nessa isso fique mais evidente”. E continua: “A letra foi inspirada em situações que passei com o Tiago, baixista. Quando canto ‘olha o meu amigo, tá todo esburacado, o seu tênis tá furado (…)’, é dele que eu falo. Trabalhávamos juntos e, mesmo em reuniões, ele sempre estava com uma camiseta furada, pois nunca ligou muito para isso. Como não sou muito diferente, já passei por momentos do mais puro desleixo também, e a letra de Dress Code, apesar de fictícia, resume essa nossa incapacidade de sermos muito formais”.

Kundera foi uma das primeiras faixas de todo o projeto, feita antes de Radical, inclusive. “Algumas faixas do disco, como essa, já tocávamos desde o primeiro show, pois o EP é bem curtinho e não completaria uma apresentação sozinha. A Kundera aborda um grande drama de leitores de livros: o empréstimo de livros que nunca são devolvidos. É triste. Um dos meus preferidos nunca mais voltou…. “a Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera. Baita livro, puta merda. Daí o nome da faixa”, conta Pedro. Na sonoridade, Kundera transita pelo Wavves do surf-rock, com um guitarras e um baixo oitavado bem distorcido no refrão. Muitas faixas são bem curtinhas, por característica de composição mesmo. “Não somos muito fãs de enrolação”.

Calabokitos é uma espécie de transição pro final mais lo-fi do disco. “E eu queria botar o Chrisley no disco porque ele é muito engraçado e querido. Te amo amigo, to com saudades. Na verdade isso foi feito só pra ter um feat. Chrisley mesmo. O Aecio gravou uns takes freestyle lá e pronto (rs)”, relata Pedro.

Já Chorei apresenta uma outra faceta do disco, “por mais que o álbum e o estilo da gravação sejam mais hi-fi, essa nova música é uma canção lo-fi, uma vertente que gosto muito”, conta Pedro. Inclusive, ele revela que a criação foi bem mais experimental e tem referências em bandas como Good Morning e Alex G, “os arranjos foram montados já dentro do estúdio mesmo, e algumas decisões tomadas depois. Experimentamos alguns tratamentos para voz na mix, por exemplo, e o Paulinho achou esse ponto que gostei muito, mais sequinho e com distorção, meio crooner, enfim, combinou demais, deu um equilíbrio em contraponto aos arranjos que são bem ‘molhados’”. E continua: “Gravamos Já Chorei com uma guitarra velha e toda desafinada, que ressuscitei pra gravar tudo que tem alavanca no disco. As desafinações funcionam como bends que chegam nas notas sustentadas pelo baixo e pela base, dando essa sensação de inconstância do tema central da música, já que ato de chorar compulsivamente vem de um desequilíbrio emocional. Tem uma metáfora aí que a música soa “frágil” pelas guitarras e falta de estrutura, mas segue em frente, até se estabilizar”.

TV Shows é uma música surf semi-acústica que fala de preguiça, embalada por reality shows de TV por assinatura “que podemos ficar assistindo por horas antes que surja a força de vontade pra sair de casa (rs). Na real, a gente já estava nessa de ficar em casa muito antes da pandemia (rs), e a TV Shows trata dessa incapacidade de levantar do sofá”.

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