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Resenha – Álbum | João Thomé: Náusea

“Náusea”. [substantivo feminino] Tontura sentida pela pessoa que está numa viagem de navio, de carro, de avião etc. Sim. Uma viagem sonora e mental, com guitarras e sintetizadores que podem causar tontura e mal-estar em quem não está acostumado com música lo-fi de verdade.
Foto Divulgação

Náusea” é o nome do primeiro disco do cantor e compositor João Thomé.

Então eu vejo a mensagem que dizia algo do tipo: disco gravado no quarto usando apenas um celular, por isso se transformou em uma estética lo-fi.

Isso me arrepiou, não desmerecendo quem produz dessa maneira, mas a primeira coisa que pensei foi que as chances de ser bom seriam bem pequenas, talvez por eu não ter conhecimento de produção musical e não saber o que é possível fazer apenas com um celular. Mas a verdade é: como eu gostei de estar completamente enganado.

Isso mesmo, o disco foi uma grande surpresa. Como algo gravado apenas com um equipamento pode ter ficado tão bom? Eu não faço a menor ideia, mas João Thomé com certeza sabe.

E sim, a proposta estética lo-fi foi realmente o que percorreu todo o disco. Já as sonoridades não seguem exatamente a mesma linha, “Náusea” se tornou bem plural.

A primeira nuance que você percebe realmente é o rock psicodélico lo-fi na faixa de abertura “Não Vejo Chão“. Mas logo na música seguinte somos pegos por um pós-punk-pop-new wave, a real é que não sei definir. E os estilos vão se alternando conforme vamos entrando no disco. Dançamos, viajamos, ficamos melancólicos, as sensações que “Náusea” transpassa também são diversificadas.

Assista ao Lyric Video de Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Ouvir este álbum é como se tivesse rolando uma playlist com New Order, The Cure e até mesmo Tame Impala. Não sabia se foram influências para João Thomé, mas foi muito legal ver músicas tão boas assim sendo feitas por artistas brasileiros.

Depois, conversando com o músico, percebi que não estava de todo errado, ele contou que os projetos solo de Thom Yorke e de John Frusciante, além de Atoms For Peace, Tame Impala, Depeche Mode, Joy Division, Júpiter Maçã e Mutantes serviram de inspiração para compor seu trabalho de estreia.

O Disco

Capa do disco por Julia Margon

João Thomé escreveu, gravou, produziu e mixou seus dois primeiros singles – “Limbo” e “Transtorno Obsessivo-Compulsivo” – em casa, utilizando apenas um celular para captar os sons, ainda no início de 2020.

Com a surpresa de que as gravações haviam saído melhor do que o esperado, e de que era possível alcançar uma estética além do lo-fi, mesmo com pouquíssimos equipamentos disponíveis, João deu continuidade ao projeto com uma roupagem um pouco diferente, adicionando novos instrumentos como o baixo e mais camadas de guitarra.

As músicas misturam guitarras e baixos mais orgânicos com sintetizadores e baterias programadas. O trabalho é composto por dez faixas, todas mixadas por João Thomé e masterizadas por Alex Mac’Arthur, que acabou escrevendo e gravando a linha de baixo da música “Não”, sétima faixa do álbum.

As ilustrações das capas dos singles e do álbum foram todas produzidas por Julia Margon.

Náusea”. [substantivo feminino] Tontura sentida pela pessoa que está numa viagem de navio, de carro, de avião etc. Sim. Uma viagem sonora e mental, com guitarras e sintetizadores que podem causar tontura e mal-estar em quem não está acostumado com música lo-fi de verdade.

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