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Lançamento – Álbum | Marcelo Callado: Saída

“Saída” foi a forma de expressar sentimentos, de valorizar amizades, de trazer o foco para algo que realmente lhe faça bem. “Saída” é a força, o coração e o motor que movem um artista ao seu autoconhecimento.
Foto divulgação por Fabiana Comparato

Saída” é o nome do quarto disco solo do cantor, compositor e multi-instrumentista Marcelo Callado.

É um sobe e desce. Os acordes aceleram e voltam ao ritmo lento, são tocados suavemente e violentamente. São oscilações nas harmonias, são oscilações em nossas emoções. São estilos diferentes dentro de uma mesma música. Tudo, “Tudo é Natureza“, primeira faixa do disco, é uma obra sublime, envolvente, rica.

Assim somos muito bem recebidos em “Saída“.

Já tinha ouvido falar de Marcelo Callado diversas vezes, mas nunca ouvi nenhuma música até então, ou pelo menos não me lembro. Deixei para ouvir este novo disco em um momento propício, onde fosse possível contemplá-lo de forma tranquila, e foi uma ótima escolha.

Logo nas primeiras canções eu percebi algo que me arrebatou: as letras.

Como as composições são excelentes, excedem a linha do “normal”, Callado é um excelente letrista, temos que concordar. Duvida? Ouça agora as canções “Assis Bueno 37” e “Toque de Mãe” e depois volte aqui pra gente conversar.

Aliás, “Saída” é daqueles discos onde as letras são o carro-chefe, profundas, divertidas, sentimentais, um emaranhado de emoções que engloba toda a vivência do compositor.

“Saída veio de um momento sensível e importante na minha vida. Ele foi feito dentro desse período de reclusão, um tempo único, sui generis, onde vários sentimentos diferentes afloraram, e pude ter contato e muita conversa comigo mesmo. A feitura do disco foi a saída para que me mantivesse nos trilhos, seguindo em frente. Uma coisa curiosa no processo de feitura do álbum foi que apesar do isolamento, é meu disco com mais trocas musicais no processo de composição. Das 12 canções, 9 são parcerias, o que demonstra a importância dos amigos num momento tão delicado”, reflete Marcelo.

Ouça a canção Tudo É Natureza

O instrumental não deixa nenhum pouco a desejar. É versátil, percorre a MPB, música popular regional, rock brasileiro dos anos 70 e até flertes com o psicodélico, sempre mesclando os acordes no violão e guitarra, criando melodias envolventes. Em alguns momentos as canções me lembraram o mestre Tom Zé, tanto nas melodias como na irreverência de algumas letras.

O Disco

Capa do disco

Como Marcelo disse, este é seu álbum mais participativo, mas é curiosa a forma que essa colaboração dos amigos se deu no trabalho.

Para compor o single “Tudo É Natureza”, por exemplo, recorreu a um livro presenteado pela amiga Rosa Barroso – “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo”, de Ailton Krenak. De uma conversa por telefone com Ava Rocha, “Verso Vivo” e “Borboletas” ganharam vida. Daniel Gnattali surge na inspiração de “Toque de Mãe”. De uma conversa via Instagram, Silvia Machete se materializa em “Simbora”. Em “O Horror”, aparece o cello de Moreno Veloso para contextualizar a situação de descontrole do Brasil sob um viés íntimo e pessoal.

Saída” foi a forma de expressar sentimentos, de valorizar amizades, de trazer o foco para algo que realmente lhe faça bem. “Saída” é a força, o coração e o motor que movem um artista ao seu autoconhecimento.

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Encontre o Artista:

Ouça o Disco:

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Leia o Faixa a Faixa, por Marcelo Callado

1. Tudo é Natureza: A ideia da música surgiu a partir da leitura do livro “Ideias para adiar o fim do mundodo Ailton Krenak, presente da amiga e parceira Rosa Barroso. Inspirado por alguns pensamentos do autor, me pus a refletir e a escrever sobre a importância fundamental do exercício do diálogo em nossa existência, a fala e a escuta, de um modo geral, não só entre uma humanidade homogênea que somos instruídos a crer, mas sim entre tudo que constitui a natureza; nós (e nossas diferenças), a terra, os rios, as montanhas, as árvores, os bichos, o cosmos.

2. Verso Vivo: Estava assistindo a live do Gilberto Gil, quando no fim ele disse “como diz a mãe de Caetano, Dona Canô: – quem não morre, envelhece”. Me veio a inspiração de escrever algo a partir dessa ideia. Comecei a letra e fiz toda a melodia e harmonia, mas acabei empacando na parte B, não conseguia concluir a ideia. Liguei pra Ava Rocha e pedi ajuda pra terminar. Acho que no dia seguinte ela me mandou o complemento lindo e assim a canção foi finalizada.

3. Assis Bueno 37: É o endereço da casa de minha avó em Botafogo. Casa que já não existe mais fisicamente, mas sim em minha memória e na de meus familiares e amigos mais próximos. Foi uma homenagem a todos que viveram momentos por lá, um local de suma importância em minha vida, e o fato de tê-la escrito e ouvido repetidas vezes, serviu como um acalanto pra alma.

4. Toque de Mãe: Surgiu de um texto que o Daniel Gnattali, meu eterno cunhado, escreveu no instagram dele no dia das mães. Li o texto e já foi me vindo um ritmo e uma melodia na cabeça. Aí foi só sentar, tirar a harmonia e meter bronca.

5. Curtavida: Uma das duas músicas que não foram compostas durante a pandemia. O Bruno di Lullo me pediu alguma letra para musicar há uns 3 anos atrás. Tinha esse poema feito, e mandei pra ele. No dia seguinte ele mandou a música pronta.

6. Borboletas: Na mesma conversa que tive com a Ava Rocha, para resolver a letra de “Verso Vivo”, acabamos trocando uma ideia sobre como estava a vida, o momento na pandemia e tal, e contei a ela sobre as dificuldades que estava passando devido ao término de meu relacionamento amoroso. Com uma sensibilidade acima do normal, Ava me mandou a letra inteira da música e o começo da melodia. Peguei o violão terminei a música e fiz apenas algumas inserções de algumas palavras pra acertar a letra na melodia. Amizade é tudo!

7. Agora Créu: Numa conversa com o amigo Pedro Montenegro, acabamos constatando que tínhamos alguns versos escritos separadamente que poderíamos juntar numa letra de música só, e assim se deu. Juntei os versos dele com os meus e musiquei-os.

8. À Prova: Das parcerias pandêmicas, a mais recorrente foi com a Rosa. Acho que fizemos 4 músicas juntos, e trocamos muito sobre muita coisa. Uma delas, a segunda, eu acho, foi essa letra minha que Rosa lindamente musicou.

9. Simbora: Outra música da Rosa Barroso a partir de uma letra minha. Nessa Rosa acabou complementando a letra também com a segunda parte dos versos. Numa conversa super informal pelo Instagram sobre outras coisas, acabei chamando a Silvia Machete pra dividir os vocais comigo nessa música. Ela topou e gravou. Adorei!

10. Conte Comigo: Parceria com o Bem Gil. Junto com “Curtavida”, também foi feita anteriormente à pandemia, mais precisamente no fim de 2016. Bem fez a música e me mandou pra letrar, e assim o fiz.

11. O Horror: Música triste. Gosto dela, pois além de ter um cello lindo gravado pelo Moreno Veloso, conseguiu juntar na letra a ideia do horror e da dor de uma forma geral com a situação mundial da pandemia, e do descaso do nosso (des)governo, com minha situação pessoal de solidão pós separação.

12. Se Quiser Que Vá: Parceria de letra e música com Pedro Sá. Essa é engraçada pois é bem antiga. Começou a ser feita numa passagem de som da turnê do “Abraçaço” em 2015, mas acabou sendo finalizada somente agora. Foi no tempo certo!

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