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Resenha – EP | Infante: Retalhos e Pensamentos Mal Costurados

No final das contas, “Retalhos e Pensamentos Mal Costurados” é uma alegoria sobre amor à música, amizade e persistência. Cada pedacinho se encaixa, nem sempre perfeitamente, mas isso com certeza não impede que o fruto disso tudo seja algo extremamente significativo para quem faz música pelo simples fato de amar música.
Foto Divulgação por Amanda Godoy

Retalhos e Pensamentos Mal Costurados” é o nome do novo EP da banda jundiaiense Infante.

O rock alternativo engloba várias vertentes, mas nem sempre todas as bandas acabam explorando tudo que se pode explorar. Por isso eu gosto muito de quem consegue transpor essas barreiras de estilos e trazer influências que complementam bem as canções principalmente na parte instrumental. É bem isso que a banda Infante conseguiu fazer no seu novo EP “Retalhos e Pensamentos Mal Costurados”.

Indie-alternativo-pop com pequenas frações de math rock, assim começa o EP. É nítida a harmonia dos acordes da guitarra, com certeza é o ponto-chave da faixa “Paraíso Particular”. Que canção incrível, toda a forma que ela discorre é muito rica e fluida e, além de tudo, ainda apresenta bem na reta final um ritmo bem brasileiro ao violão, algo entre a MPB clássica e a bossa nova carioca.

Depois, já com uma sonoridade mais carregada, a canção “Mexicana” se apresenta com excelente valorização do contrabaixo que marca a faixa. Mas o rock é presente por todo o caminho, até um pouco consonante com o noise rock ali pelo meio e no solo final da canção.

Retalhos e Pensamentos Mal Costurados” me pegou de surpresa. Que trampo muito bem elaborado, pensando em todos os aspectos que compõem as músicas, você percebe a evolução musical dos meninos, principalmente quando falamos de trazer novos elementos de outros estilos, algo que não percebi tão nitidamente nos trabalhos anteriores da Infante.

Foto Divulgação por Letícia Madeira

Se Você Tivesse Um Encontro Com Você Mesmo Levaria Flores?” é a terceira música do EP. De primeira eu amei o nome faixa, como vocês já sabem títulos longos são minha paixão.

Essa é a canção que mais se aproxima do que a Infante já fez anteriormente, mas traz uma mensagem mais reflexiva sobre o que vemos e entendemos por nós mesmos, questões que estão cada vez mais em pauta em nossa cabeça, principalmente nesse mundo atual repleto de coisas que fodem demais a nossa mente.

Para dar o gostinho de como seria o EP “Retalhos e Pensamentos Mal Costurados”, a banda lançou o single “Vem e Vai” no final de agosto. A primeira vez que ouvi foi impossível não lembrar do tom melódico e acordes da banda Raça, mas conversando com os meninos veio a surpresa:

“Comecei a compor Vem e Vai há muito tempo, em 2017. A primeira versão eu gravei na lavanderia da minha avó, lembro de ter montado a bateria do lado da máquina de lavar roupas e gravado. A versão que entrou para o disco está um pouco diferente, mas eu gosto muito das duas”, conta o guitarrista e vocalista Caio Molena.

Para quem gosta de ir além do lançamento, consegue encontrar essa versão demo de “Vem e Vai” no bandcamp da Infante clicando aqui.

E para fazer o trabalho mais diversificado e chegar ao resultado de “Retalhos e Pensamentos Mal Costurados”, os meninos abusaram do seu repertório de influências e o leque ficou recheado de grandes nomes, como: Wavves, Twinpines, Polara, Weezer e até mesmo Clube da Esquina.

O Disco

Capa do EP por Fernando Lodi

A Infante sempre foi adepta do “faça você mesmo” e novamente caiu nesse mundo, e o resultado continuou sendo ótimo. Caio Molena e Fernando Lodi foram os responsáveis por toda a produção: gravação, direção, mixagem e masterização. O processo todo de concepção do disco durou por volta de 2 anos, pois as primeiras composições iniciaram em 2017 e a última gravação foi só em 2019, e para 2020 ficou apenas a mixagem do trabalho.

O nome do EP e a capa surgiram a partir de ideias do guitarrista Fernando Lodi, e eu simplesmente amei ambos, principalmente a capa, que coisa mais linda.

No final das contas, “Retalhos e Pensamentos Mal Costurados” é uma alegoria sobre amor à música, amizade e persistência. Cada pedacinho se encaixa, nem sempre perfeitamente, mas isso com certeza não impede que o fruto disso tudo seja algo extremamente significativo para quem faz música pelo simples fato de amar música.

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Encontre a Banda:

Ouça o EP:

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Faixa a Faixa

1 – Paraíso Particular

Fernando Lodi: Literalmente acordei de madrugada a um bom tempo atrás, peguei a guitarra e fiz e essa música. Meio que fala sobre retomar o conforto nos momentos sozinhos e a vontade de fazer coisas mesmo que com certo receio e insegurança. A sonoridade vem bastante inspirada em Twinpines, Polara e música brasileira, mas nesse aspecto são mais os acordes usados, até por conta disso o sambinha no final.


2 – Novela Mexicana
Caio Molena: Eu me inspirei um pouco na música de abertura do seriado Narcos, “Tuyo”, em 2017 eu estava viciado na série. A letra fala sobre meu problema de visão (ceratocone) e do fato de não conseguir enxergar nada quando não tem luz. Claro que se falasse literalmente disso, a letra não iria ficar tão boa, então coloquei outras coisas no meio só para ficar mais dramático mesmo.

3 – Se Você Tivesse Um Encontro Com Você Mesmo, Levaria Flores?
Fernando Lodi: Uma música que fala sobre pensar se você já está no momento de ser gentil consigo mesmo, se aceitar e coisas assim, uma vez que você é a pessoa que mais convive com você mesmo, se enfrentar, se analisar e etc. A sonoridade também vem bastante do Twinpines, principalmente na relação entre os riffs de guitarra e bateria e o uso de som limpo nas bases, entre outras influências de bandas dos anos 90.

4 – Vem e Vai:
Caio Molena: Eu tinha gravado uma demo dela em 2014, na lavanderia da casa da minha avó. Na época era viciadíssimo em Wavves, e na demo fica claro. Na versão final, que foi o single, não usamos tantos efeitos na voz (a não ser no refrão, que usei um pedal de distorção para gravar a voz, ligando o microfone no pedal, o pedal no amplificador e outro microfone para captar o som que saía). O mais incrível é o solo, que o Lodi fez dois takes tocando EXATAMENTE da mesma forma. Para quem grava, todo mundo sabe o quanto isso é difícil, ainda mais quando se trata de solo de guitarra, então foi uma das coisas mais incríveis do EP.

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