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A Travestis estreia com o disco Respeita as Travestis, cheio de swing, repique e pagodão baiano

“Respeita as Travestis” é o nome do primeiro disco da A Travestis. Traz toda aquela influência das origens do pagodão baiano com adição de boas camadas de pop, eletrônico e sintetizadores. Mas, principalmente, dá voz à periferia, e, particularmente, às travestis.
Foto Divulgação

Respeita as Travestis” é o nome do primeiro disco da A Travestis.

Em um grupo de Whatsapp sobre música eu vejo a pergunta: “Vocês conhecem alguma cantora de pagodão baiano?”. Na hora não lembrei de ninguém, e nem iria lembrar pois não conhecia nenhuma (falha minha). Comentei isso no grupo e recebo o link para a minissérie Pagodão: A Cena Por Elas (produção do canal Pagode Por Elas). Dois dias depois já havia visto os 5 episódios, e ali vi uma cena musical que até então nunca havia me despertado o interesse. Fui ouvir as músicas das artistas que participaram do documentário: A Dama do Pagode, Fernanda Maia (Afrocidade), Daiana Leone (Swing de Mãe), Rai Ferreira (Banda Nanet) e Aila Menezes.

Mas qual a relação deste documentário com o disco “Respeita as Travestis”? Tudo! Ouvindo as canções destas artistas cheguei até Tertuliana, a grande artista por trás de “A Travestis”, especificamente ouvi a canção “Disputa”, parceria de Tertuliana com Daiana Leone e sua banda Swing de Mãe.

Assista ao clipe da canção Disputa

Foi automático, ao ouvir pela primeira vez fiquei simplesmente viciado. Todo o swing e repique, já característico do pagodão baiano, é arrebatador, impossível ouvir e não ficar com vontade de chacoalhar o rabo, como a música mesmo diz.

Respeita as Travestis” é uma obra e tanto. Traz toda aquela influência das origens do pagodão com adição de boas camadas de pop, eletrônico e sintetizadores. Mas, principalmente, dá voz à periferia, e, particularmente, às travestis. Tertuliana coloca em pauta diversos assuntos, algumas músicas, superficialmente, podem parecer engraçadas, mas sabemos bem que não são, afinal estamos no país que mais mata travestis.

Tertuliana estar fazendo música nesse país, fazendo pagodão neste meio extremamente machista é um gigantesco ato político por si só.

Mas sua voz vai além de falar só sobre isso, Tertuliana é uma artista e tanto e com grande capacidade de composição e um carisma vocal excelente, sabendo usar muito bem estas duas qualidades, as trouxe para o disco “Respeita as Travestis” com exímia competência.

Foto Divulgação

Ao decorrer do disco somos levados pelas sonoridades diversas que sempre nos puxam para dançar, seja ao som do repique ou samples de Lady Gaga, passando por eletrônico e um pouco de ritmos latinos, sem esquecer do samba-reggae, um dos pontos de partida do pagodão baiano.

Algo muito presente em “Respeita as Travestis” que eu sempre achei muito legal é a reverência, dentro das músicas, às pessoas que colaboram no trabalho, além de falar sobre os paredões e sobre o Porto da Barra, ambos rolês característicos de Salvador.

O álbum diz muito sobre quem é Tertuliana, sobre tudo o que passou até aqui. Estou torcendo demais para que, daqui para frente, ela possa viver apenas da sua arte, mas se quiser continuar no ramo dos doces com o famoso “Brigadeiro da Lôra” que vendia na praia do Porto da Barra quem sabe não vira uma franquia pelo Brasil?

O Disco

Capa do disco por Vanessa Ribeiro.

Respeita as Travestis” é um disco totalmente independente, mas A Travestis contou com uma boa equipe de produção para fazer as canções, como Apache Bass, Swing de Mãe, WEBER e Faustino Beats, além claro dela mesma que tem conhecimento de produção de áudio graças aos estudos na UERJ, onde produziu dois podcasts famosos no mundo trans: Talaricas Queer e Frozen 2000. Por lá, aprendeu a ser DJ e ficou conhecida como Tertu do Vidigal, favela onde morou.

Todas as parcerias de “Respeita as Travestis” são com mulheres nordestinas, marcando diferentes variantes do pagodão baiano: Danny Bond, Daiana Leone e Nêssa.

O disco tem 13 composições, algumas inéditas. Minhas preferidas são “Cagar no Pau“, “Disputa“, “Goza em Cima do Meu Cu“, “Desce Viado” e “Bunda de PV“, que faz referência à bunda de Pabllo Vittar, lembrando que A Travestis participou do álbum “111 Deluxe“, da cantora e drag queen, no remix da faixa “Tímida“.

Aqui do sudeste deixamos muito a desejar em conhecimento de ritmos nordestinos extremamente brasileiros, o pagodão baiano é um deles, o pouco que conhecemos veio principalmente dos hits do Parangolé e do Psirico, do mestre Márcio Victor. Precisamos conhecer muito este estilo e ir para além das bandas compostas somente por homens, por isso por qual motivo não começar por A Travestis?

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