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A libertação de uma existência além da margem: Ojunifé, disco de estreia da baiana Majur

Dentro da construção de “Ojunifé”, Majur trouxe uma estrutura sólida de sonoridades afro-brasileiras que dão a cara à sua raiz. Libertação, luta, amor, fé. Tudo o que liga sua existência à sua ancestralidade.
Foto Divulgação. Foto por Marcos Florentino e Kelvin Yule. Direção criativa e styling por Bruno Pimentel

Ojunifé” é o nome do primeiro disco da cantora e compositora afrofuturista baiana Majur.

Olhos [substantivo masculino].
Órgãos externos da visão: meus olhos enxergaram o pôr-do-sol.
[Figurado] Excesso de zelo, de cuidado, de atenção.
[Figurado] Aquilo que clarifica; luz, brilho.

Amor [substantivo masculino].
Sentimento afetivo que faz com que uma pessoa queira o bem de outra.
Gosto vivo por alguma coisa: amor pelas artes, pela literatura, pela música.

Ojunifé”, palavra em iorubá. Significado: Olhos do Amor.

Antes de começar tenho duas críticas sobre o disco: ele é curto (menos de 30 minutos) e ele acaba.

Presente de Deus, anunciou, MAJUR CHEGOU!”

E os tambores abrem o espaço para recebe-la, como se o mundo todo reverenciasse o poder, o brilho, o talento de alguém que traz consigo a honraria de representar sua ancestralidade nos tempos atuais. Quem ainda não reverenciou Majur, depois de “Ojunifé” irá reverenciar.

A energia, um sague guerreiro, toma conta da canção de abertura, “Agô” é o canto que traz a raiz da africanidade e da amefricanidade para o contexto histórico atual, com a fé e luta que marca sua existência até hoje.

E sob os mantos da sua existência, Majur canta sobre ser muito além de um passarinho livre, “eu posso ser quem eu quiser eu ser”, sim, você pode e você foi, você é. O significado de tu estar onde está é a maior prova de que se pode alcançar lugares além do que, até então, já eram pré-estabelecidos. “Flua”, flutue, chegue onde quiser chegar!

Ojunifé” abre nossos olhos e os enche de amor. Isso provoca as sensações mais sublimes, que podem ser encontradas em cada um dos versos, mas muito mais nas sonoridades que são construídas pouco a pouco ao decorrer do disco.

Ouça a canção Ogunté

Como águas que banham Iemanjá, os sons nos banham e nos lavam a alma, deixam tudo mais leve, mais gostoso, e a nossa sensibilidade mais aguçada para compreender cada pedacinho de “Ojunifé”.

As camadas dessa obra passam pelo afropop em boa parte do álbum, mas em meio a essas construções é possível perceber ritmos afro-latinos, soul, funk, jazz, samba, R&B e MPB. A pluralidade é o carro-chefe, “Ojunifé” é o puro suco da libertação sonora. Ouça e se liberte!

E além da libertação você também irá rebolar a raba. Como já disse antes, Majur trouxe diversidade também nas letras das canções, então você pode dançar muito com as músicas mais animadas, pode refletir nas que são mais existenciais e dar aquela sofrida nas faixas mais românticas. E não menos importante, você pode pegar um vinho junto a uma ótima companhia e dar play na canção “Rainha de Copas”, quando ouvir saberá do que estou falando.

O Disco

Capa do disco. Foto por Marcos Florentino e Kelvin Yule. Design por Thasya Barbosa.

Ojunifé” traz duas participações mais que especiais: a cantora baiana Luedji Luna na canção “Ogunté”, e a cantora Liniker na faixa “Rainha de Copas”. Mas o time que trabalhou no disco é bem maior e tão talentoso quanto.

Começando pela própria Majur que assinou a direção musical de “Ojunifé”, o músico Ubunto foi o responsável pela produção musical com co-produção de Dadi. A musicista Taís Feijão e o percussionista Riccardo Braga também fizeram parte da criação dessa sonoridade incrível do disco.

A engenharia de som ficou a cargo do grande Rodrigo ‘Funai’ Costa do estúdio Refinaria Sonora, que já trabalhou com Luedji Luna, Letrux, Mariana Aydar, Emicida, Elza Soares, Jards Macalé e tantos outros artistas fodas.

Dentro da construção de “Ojunifé”, Majur trouxe uma estrutura sólida de sonoridades afro-brasileiras que dão a cara à sua raiz. Libertação, luta, amor, fé. Tudo o que liga sua existência à sua ancestralidade.

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