Lançamentos resenha

A rica construção sonora baseada em automações no disco O Que Há Lá, estreia da Mulungu

Percorrer os sons em suas experimentações de acordo com tudo o que a tecnologia oferece. A Mulungu expôs nesse trabalho a engenhosidade que todo músico contemporâneo deveria ter e fez de “O Que Há Lá” um dos melhores discos deste ano.
Foto divulgação por Hannah Carvalho

O Que Há Lá” é o nome do disco de estreia da banda pernambucana Mulungu, formada por Jáder, Guilherme Assis e Ian Medeiros.

O Que Há Lá”, foi bem o que eu questionei. O que estaria por vir, o que poderia ter de surpresa. O que eu poderia sentir. O que poderia me transmitir. O que havia lá era o mistério que eu queria desbravar.

Um lo-fi calmo e comportado foi se apresentando na canção “A Boiar”, que abre o disco. Leve, fácil de digerir e gostosa de ouvir, realmente uma canção para boiar na calmaria. Mas abruptamente a canção dá uma virada, um pop eletrônico com sintetizadores entra em cena e transforma completamente a canção. Parece que virou outra, fascinantemente tornou-a incrível. Foi essa virada que me despertou a vontade de escrever sobre o disco, sem nem mesmo ter ouvido nenhuma outra canção e nunca ter ouvido falar da banda antes.

Logo no começo da segunda música eu pensei: “puta merda, os cara é bão“. A partir daí foi só paixão com esse disco <3.

Assista ao clipe de Deus Tempo

Não parece ser uma banda de apenas três pessoas, parece ter uma orquestra por trás e tantos outros músicos fazendo instrumentações e efeitos. Esse trio usou e abusou dos recursos eletrônicos para criar as sonoridades e ficou bom pra cacete!

Trabalhamos com equipamentos eletrônicos, samples e bases eletrônicas pré-gravadas. Assim, a limitação de pessoas guiou a composição do disco”, afirma o vocalista Jáder.

O multi-instrumentista Guilherme Assis foi quem criou todas as automações para que a banda funcionasse e soasse como eles pretendiam, trazendo experiências sensoriais que vão da música ao visual. Já o baterista Ian Medeiros contribuiu com as percussões e também com a sonoridade setentista do disco, proporcionada pelo seu estúdio (o Cantilena).

O Que Há Lá” traz várias referências musicais que percorrem o indie lo-fi, pop, eletrônico, jazz e muito do que rolou nos anos 80 na música mundial.

As linhas instrumentais estão fantásticas, as percussões incríveis e os metais colossais. “O Que Há Lá” é maravilhoso, na moral mesmo, dá play aí que você não vai se arrepender.

O Disco

Capa do disco por Gabriel Furmiga

As faixas que compõem “O Que Há Lá” contam com preciosas participações de novos, porém já consagrados, nomes da cena musical recifense – como Una e Luna Vitrolira. Una, Sofia Freire e Felipe Castro fazem parte do coro presente em algumas faixas e Henrique Albino nos sopros (flauta e saxofone). O O Que Há Lá” ainda conta com um rico recurso – a última faixa é uma audiodescrição do disco para deficientes visuais, descrevendo tanto o encarte como também toda a ficha técnica

Além do disco, o projeto ainda inclui um mini documentário disponível no Youtube da banda (clique aqui para assistir). Trata-se de um show-entrevista gravado na Passadisco, uma das poucas lojas de discos remanescentes em Recife, e também local afetivo para o vocalista Jáder, pois foi fundado pelo seu pai. O material tem intervenções visuais de Gabriel Furmiga e direção de Hugo Bonner e Vitor Sormany

O Que Há Lá” foi concebido via incentivo do Funcultura, através da Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo do Estado de Pernambuco.

Percorrer os sons em suas experimentações de acordo com tudo o que a tecnologia oferece. A Mulungu expôs nesse trabalho a engenhosidade que todo músico contemporâneo deveria ter e fez de “O Que Há Lá” um dos melhores discos deste ano.

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