Lançamentos

Mini Mini Notas de Lançamentos da Semana #05

Mini mini notas rapidinhas sobre alguns lançamentos da semana (ou não) que você precisa ouvir e ficar de olho. Essa semana com: Lisergia Tropical, Kimani, Diego Tavares, Ellivê, Sérgio Wong e AK'HIM.

É o carro das mini mini notas de lançamentos da semana passando na sua rua com lançamentos fresquinhos da música independente brasileira. Seja um consumidor, gostoso demais!

Cansei de Continuar Fingindo Que Eu Sou Normal (Single/Lyric Video) – Lisergia Tropical

Capa do Single

Abrindo o caminho com uma musicalidade incrível, o primeiro single do projeto Lisergia Tropical, do músico Igor Kobata, já me ganhou logo no começo. A sonoridade da canção realmente traz a referência do nome do projeto: uma música tropical com um pouco de samba e bossa nova e a lisergia das guitarras e do teclado. Que música boa! Sabe aquelas que quando você ouve te toma por inteiro rapidamente? “Cansei de Continuar Fingindo Que Eu Sou Normal” é exatamente assim.

O single traz teor altamente político e trata das dificuldades em ser brasileiro no momento em que vivemos, tendo que encarar pessoas próximas estando no lado oposto ao nosso. Até que uma hora cansa, e Lisergia Tropical transformou esse cansaço em música.

Inicialmente, o projeto era para ser uma banda de quatro pessoas, mas devido à pandemia Igor optou pelo ser solo. Mas para este single e para as outras canções que irão completar seu primeiro EP, que tem previsão de lançamento para dezembro de 2021, o músico contou com a ajuda do produtor Jackson Pinheiro e do baterista Raphael Eskerda.

Cansei de Continuar Fingindo Que Eu Sou Normal” vem acompanhado por um lyric video produzido pela iÁ Estúdios e já conta com quase 17 mil visualizações quando terminei de escrever isso.

Solta o play nesse sambarockpsychtropical!

Encontre o artista:

Veja o Lyric Video:

Ora Iê (Single/Clipe) – Kimani

Foto divulgação por Sérgio Silva

A terra é tudo o que nos acerca. Nossa raiz é de onde viemos. Nossa arte é a forma que decidimos mostrar nossa ancestralidade ao mundo, fazendo reverência ao passado, agradecendo e mostrando que não vamos abaixar a cabeça. Tudo isso eu senti nos primeiros segundos da canção “Ora Iê”, primeiro single de Kimani, cantora e poeta cria das batalhas de Slam.

O Slam já não comportava mais o talento de Kimani, então a música foi o caminho para continuar sua expressão artística também através dos sons, e não apenas das palavras. A música é um claro registro da cultura afro-brasileira, misturando mpb, samba, toques de percussão e muita poesia. “Ora Iê” é um registro, um canto com vestígios ancestrais e um convite à mergulhar no divino em tempos tão secos como os quais estamos vivendo. Em tempos de seca, Kimani faz da música água e reza àquela que é mãe das águas doces e dos filhos de fé.

Encontre a artista:

Veja o clipe:

Antes do Dia de Fato Começar (Single/Clipe) – Diego Tavares

Capa do single

A tranquilidade, a calmaria e os leves acordes da canção “Antes do Dia de Fato Começar” nos transportam para um mundo repleto de conforto, como se fosse um gostoso abraço.

Após estreia em maio com “Dança”, o cantor e compositor meio carioca meio paulista Diego Tavares trouxe essa sua segunda canção que passa uma linda mensagem sobre amor e afeto, aflorando o romantismo como tema principal da canção. O artista usou o próprio cotidiano como matéria-prima para reflexões sobre os problemas da vida e as diferentes formas de lidar com eles. Musicalmente, a faixa começa no estilo voz e violão e vai crescendo até chegar a um inesperado clímax quase catártico no segundo refrão, com a adição de sopros, bateria, guitarra e baixo. Faz pensar em Beirut ou Los Hermanos.

A faixa “Antes do Dia de Fato Começar” foi gravada no Trampolim Estúdio com produção e mixagem de Fabio Barros e masterização pelo londrino Pete Maher. O vídeo que acompanha a canção foi filmado e editado por Bruno Marques.

Encontre o artista:

Veja o clipe:

Solstício de Inverno (Single/Clipe) – Ellivê

Capa do single

Uma mistura de indie e folk já toma conta do início da canção. Você acaba não sabendo muito bem o que vem depois, mas essa surpresa é ótima. “Solstício de Inverno”, segundo single da carreira do músico piauiense Lucas Victor, de nome artístico Ellivê, percorre os caminhos da música indie colocando os pés também no rock e lo-fi. A faixa traz ótimos arranjos que lembram algumas canções nacionais das décadas de 80 e 90.

Solstício de inverno” é uma canção sobre amor, mas principalmente sobre o medo de perder a pessoa amada. E mais do que isso, trata sobre um eu-lírico que acredita na chegada de um período de renovação, renascimento, da sua relação com a amada. No vocal foi criado um efeito de chorus natural através da gravação de camadas de voz. Incluí, ainda, elementos de orquestra, como violino e cello, além do piano.

A canção teve produção musical, mixagem e masterização por Igor Barreto (A Casa Estúdio) que também tocou guitarra, baixo, violão e bateria. Já Ellivê, além de compor e cantar a canção, também tocou piano, fez a orquestração e efeitos de ambiência da faixa.

O videoclipe, lançado junto à “Solstício de inverno”, tem direção e roteiro por Ellivê e João André. Filmagem, direção de fotografia e edição por Thiago Ribeiro (Noah Movie) e Ellivê e Maria Clara Fernandes no elenco, além de Beatriz Ribeiro (assistente de filmagem), Bia Magalhães (direção de figurino) e Letícia Lustosa (Maquiagem).

Encontre o artista:

Veja o clipe:

Coisa da Minha Cabeça (Single Triplo/Clipe) – Sérgio Wong

Capa do single

Tropicalismo lo-fi com uma sonoridade um pouco suja e granulada abre os caminhos do single triplo, quase EP, do músico paulistano Sérgio Wong. “Coisa da Minha Cabeça” é uma canção que passa rápido, pouco mais de dois minutos, mas na mesma velocidade que passa ela nos leva junto para acompanhar os arranjos simplórios mas muito bem escritos. A segunda música, “São Paulo”, já é mais melódica e traz uma lírica que reflete sentimentos confusos e pouco claros, englobando também a metrópole cinza.

O Ar”, faixa que finaliza o single triplo, já tem uma cara mais leve, com arranjos próximos a bossa nova e mpb, fazendo um grande contraponto à primeira canção. Da mesma forma que aconteceu no disco “Privado”, lançado por Sérgio Wong no final de 2020, este trabalho também foi feito 100% pelo artista. Aliás, as três músicas foram gravadas antes mesmo das faixas que entraram para o disco.

Encontre o artista:

Veja o clipe:

Mixtape #1 (Mixtape) – AK’HIM

Capa da Mixtape #1 por Brunno Balco

A arte de usar samples. Muitos rappers usam, muitos não sabem usar, alguns usam muito bem e alguns parecem ser mestres em usar. AK’HIM mostrou manjar pra caralho de samples e isso fez sua primeira mixtape solo ser um dos trampos mais fodas de rap lançados em 2021. Logo na “Intro” o sample é um puta destaque, já nos colocando no universo onde se construiu toda a história do hip-hop mundial.

Mixtape #1” funciona muito bem como um retrato da história de AK’HIM, pois as faixas percorrem seus medos, delírios, sonhos e anseios. Mas além disso, ao ouvir, tive a nítida sensação que esse trampo também é como uma homenagem e reverência a grandes músicos que construíram a história do rap e hip-hop no Brasil. Pra mim foi impossível não associar as canções com os trampos de Rodrigo Ogi, Sabotage, Racionais MC’s, Thaíde, Criolo e De Leve.

Entre os samples temos beats conhecidos de Aphex Twin, MF DOOM, Madlib, todos ambientados no universo onírico, distópico e divertido do Jay Electronica da Vila Mazzei e, não menos importante, um trecho de Um Príncipe em Nova York: “Quando pensar em lixo, pense em Akeem”.

Essa pandemia trouxe muita parada ruim pra todos nós, tá sendo foda segurar a barra psicológica que é viver numa distopia e ver que isso não tem charme algum. E nesse período de se ver sozinho consigo mesmo encontrei, como sempre, o meu conforto na música. Não só ouvindo, mas produzindo e escrevendo. E em meio a tudo isso foi nascendo uma mixtape solo, inspirada no universo das mixes que são o alicerce do movimento hip-hop. Escrevi algumas rimas, garimpei muito sample, escolhi beats e convidei uma galera pra me dar uma força nesse corre”, conta AK’HIM.

E no time que ajudou a colocar essa mixtape na rua, AK’HIM contou com mixagem de Mudd Rodriguez, a lenda do underground Zorack, a incrível cantora Larissa Nunes, a montagem e introdução do experimental raecae, e os riscos são do excelente DJ Batata Killa.

Vida longa a porra do rap!”

Encontre o artista:

Ouça a mixtape:

Ouça a Playlist de Indicações da Semana:

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