Lançamentos resenha

O eletroritmo boogie com camadas de nu-disco, afro-funk e groove em “Funk-Se”, novo disco de Fabio Santanna

Dançar, bailar, balançar, remexer, rebolar na pista. Pode usar o termo que quiser, pois no final das contas o resultado é o mesmo, a energia musical surreal do disco "Funk-Se", de Fabio Santanna, não te deixa parado.
Foto divulgação

Funk-Se” é o nome do novo disco do músico e produtor carioca Fabio Santanna.

Boogie [substantivo masculino].
Forma de movimento rítmico, advindo originariamente das raízes do blues. Caracteriza-se pelo movimento sincopado e cadencial, orientado pela simplicidade de compasso.

Boogie [substantivo masculino].
Gênero de rhythm and blues e dance music eletrônica, com laços estreitos com o estilo pós-disco, originário no final da década de 1970 nos Estados Unidos.

Brasil. Terra tropical.

Rio de Janeiro, a mais tropical de todas as cidades do país, e foi lá que o boogie se instalou nas terras tupiniquins e parece que sempre esteve em casa. Mas não só de lá, mas do Brasil todo também. Gerson King Combo, Di Melo, Wilson Simonal, Carlos Dafé, Dom Salvador, Cassiano, Erlon Chaves, Clube do Balanço, Banda Black Rio, Lincoln Olivetti, Almir Ricardi, Marcos Valle, Sandra de Sá. Só pedrada né? Olha esse naipe, na moral, não deixam a desejar pra gringo nenhum e olha, na minha opinião, são bem melhores.

Hoje o boogie já não tem o destaque que teve principalmente nos anos 80, ainda vivemos em grande parte sob o legado desses artistas, mas na grande mídia não há renovação, não há espaço para quem tem tanto talento quanto, mas são de novas gerações. Nos últimos anos talvez o maior destaque foi o disco “Boogie Naipe” de Mano Brown, porém se você acompanha o Polvo Manco há mais de um ano já deve ter visto outro nome por aqui que já é óbvio que sou muito fã, ele é Fabio Santanna.

Músico e produtor de exímia qualidade, Fabio Santanna lançou “Funke-se”, seu quarto álbum do projeto Live Motel, o anterior foi “Vibração”, em 2020. E mais uma vez ele ENTREGOU TUDO! Assim, tenho que confessar que tá foda demais escrever isso aqui pois não tenho adjetivos pra descrever o que é este disco.

Toda a aura envolta do álbum é de uma energia inacreditável, eu duvido você ouvir e não dançar, na moral, impossível. Ok, eu tô na pilha demais ouvindo as músicas e escrevendo ao mesmo tempo, sei que não é normal mostrar tanta empolgação na escrita e quando a gente é fã de alguém às vezes a crítica vira uma puxação de saco né? Kkkk

Veja o clipe de Segura a Nega

Funk-Se” traz sete faixas que passeiam pelo house, nu-disco, afro-funk, soul, jazz e tem um foco maior no groove, no segmento eletrônico, nos beats e no formato de pista. São músicas mais longas e instrumentais, trazendo uma maior liberdade na criação das ambiências e dos arranjos.

Mas além das sonoridades, Fabio Santanna sempre busca em seus trabalhos trazer a carga de representatividade da música negra e celebrar toda essa história de artistas que muitas vezes foram esquecidos. Afinal quantas vezes uma pessoa preta não conseguiu ocupar um espaço e um branco que fez uma cópia (vezes de baixa qualidade) e foi reverenciado por isso?

Nossa música eletrônica ainda é muito segmentada, “embranquecida” e pouco diversa, principalmente quando pensamos em mainstream. Somos diversos por natureza, estamos deixando muita coisa boa de fora! Acredito demais no potencial da nossa música eletrônica e quero somar!”, explica Fabio Santanna.

O Disco

Capa do disco. Foto por Gustavo Schlitter

Sabe todos aqueles nomes que citei lá no começo do texto? Todos são inspirações para Fabio Santanna e, a partir de todo o estudo das obras de suas referências, ele coloca em prática e manda ver suas ideias que, sempre, ficam muito fodas!

Tanto a mixagem como masterização são assinadas pelo DJ Pedro Poyart, que também co-produziu o álbum. Como participações especiais, tem a cantora e compositora Luisa Moura em duas faixas e o saxofonista Traka em outras duas. O álbum foi gravado no “Na Nave Estúdio” no Rio de Janeiro.

Aproveitando, este é o primeiro lançamento da gravadora “Na Nave Records“, criada por Fabio Santanna para promover artistas que, como ele, se propõe a mesclar influências da música negra e brasileira ao contexto da música eletrônica — algo que, segundo o músico, ainda tem pouco espaço no cenário nacional.

Dançar, bailar, balançar, remexer, rebolar na pista. Pode usar o termo que quiser, pois no final das Dançar, bailar, balançar, remexer, rebolar na pista. Pode usar o termo que quiser, pois no final das contas o resultado é o mesmo, a energia musical surreal do disco “Funk-Se“, de Fabio Santanna, não te deixa parado.

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