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Resenha | Marina Melo em show no Studio SP

Resenha de Yagho Szulik sobre a apresentação da cantora paulistana Marina Melo no dia 08/12/21 no Studio SP
Foto do show por Francio de Holanda

Resenha escrita por Yagho Szulik

Marina Melo é, com certeza, um dos nomes mais interessantes do circuito paulistano contemporâneo de música. Com dois álbuns de estúdio (“Soft Apocalipse”, de 2016, e “Estamos Aqui”, de 2019) e um EP (“o mundo acabou mas continua girando”, de 2020) lançados, a cantora marcou presença, no último 08 de dezembro, no projeto de shows gratuitos Cedo e Sentado, da renomada casa Studio SP (São Paulo), cujas portas foram reabertas em novembro, após anos de hiato.

O show contou com uma plateia animadíssima, com certeza mais cativada ainda pela incrível presença de palco da cantora, que fez questão de interagir com o público em diversos momentos da noite. O repertório contou com canções de seus dois discos, do EP e, não obstante, duas músicas inéditas, as quais provavelmente poderemos conferir nas plataformas em breve.

Marina Melo abriu o show – sob uma onda de aplausos – com “Meus Olhos Fechados”, inédita para o público, e já mostrou sua habilidade ao fazer a música toda com apenas voz, violão e um pedal de loops (arranjos no pedal pela própria Marina com Cauê Benetti e Fernando Sobreira), o que deixou tudo com um tom mais intimista e, ao mesmo tempo, atmosférico, construído com a ajuda da iluminação azul que ressaltava sua maquiagem neon (feita por Samantha Machado).

Um dos pontos altos do show, é importante citar, foi “Saudade”: um dos maiores sucessos de Marina Melo, estava na ponta da língua do povo. Lançada em 2016, a música contém a frase “saudade em álcool gel” (que inclusive deu origem ao frasquinho de álcool gel vendido na banca de merchs da cantora, a qual contava também com ecobags, pôsteres e mais coisinhas), se encaixando quase que perfeitamente no cenário atual de isolamento social.

Foto do show por Yagho Szulik

A meiuca do show contou com a incrível participação da baterista Bianca Predieri – parceira de Marina na banda da baiana Jadsa -, que deu um show à parte e acrescentou lindas camadas (vale dizer, em grande parte idealizadas por Nana Rizzini) às músicas, conquistando ainda mais o público que já parecia em seu ápice.

Vale a pena falar sobre “Nuca”, composição incrível com traços existencialistas que Marina pretende, em breve (morre aqui!), lançar um remix ao vivo dessa linda composição através do selo Dobra Discos, em parceria com Nana Rizzini (você pode conferir a resenha do último álbum dela aqui).

Mas as surpresas não pararam por aí: em seu EP “o mundo acabou mas continua girando”(2020, Cada Instante), Marina Melo fez uma música intitulada “cara vizinha”, em que ela agradece a uma vizinha que, após os panelaços do último ano, sempre colocava uma música em sua caixa de som. Todos aplaudiram quando ninguém mais, ninguém menos que a própria vizinha se apresentou, subiu no palco e fez um dos momentos mais especiais do show dançando ao lado de Marina Melo.

Após a performance de “Loukkk”, em que Marina versa sobre o uso exacerbado de smartphones e internet na atualidade, a cantora decidiu que cativar o público do Studio SP não era o suficiente. Ela, então, começou uma live no Instagram (que você pode conferir aqui) e performou o que provavelmente é seu maior hit, “Eita, Baby”(composição de Marina Melo, Jadsa, Marcelle e Giovani Cidreira), ensinando àqueles que haviam ficado em casa a mensagem da música, “como reagir quando eu chamar alguém de ‘meu amor’ cedo demais?”

Após esse momento de fervor, Bianca Predieri, ovacionada, se retirou e devolveu o show, já no bis, à sua forma original, com Marina Melo sozinha no palco, acompanhada apenas pelo violão e seus pedais. Então, a cantora performou outra música inédita, “Checo”, e ao som de mais pedidos de bis, fechou o show em grande estilo com a faixa “Coisa Melhor”, presente em seu último disco de estúdio.

Aqueles que decidiram ficar mais um pouco na casa puderam interagir com a cantora na pista, que veio prestigiar o segundo show da noite, Felipe S – o qual, diga-se de passagem, também foi incrível.

Foi, com certeza, um alívio presenciar uma cantora tão talentosa, carismática e inventiva, muitas vezes falando sobre temas tão atuais, depois de quase dois anos de uma agenda de shows interrompida pela pandemia. E, pela loucura do público, não fui só eu que gostei.

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