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Resenha | Sztu: Lances

“Lances” é uma sutileza flutuando por nossos ouvidos e apresentando nuances da MPB ao samba, da tropicália à vanguarda paulista, sendo como abraços reconfortantes nesse momento difícil que todos estamos passando.
Foto Divulgação por Raphael Calheiros e Fernanda Frate

Lances” é o nome do primeiro álbum autoral do músico Sztu, mais conhecido pelo seu trabalho de artista visual com seu nome André Sztutman.

Eu nunca tinha ouvido falar de Sztu, mas seu trabalho veio até mim. Eu também não sabia o que esperar, poderia ser qualquer coisa, então decidi que só ouviria o disco quando pudesse escrever ao mesmo tempo, pois adoro tentar transformar em palavras a sensação de ouvir algo pela primeira vez.

Então vamos para esta experiência.

Os acordes começam doces, um agradável barulho de vento. Então vem uma surpresa repleta de instrumentos em concordância que criam uma sonoridade encantadora, todos juntos trazendo riqueza em percussões que tornam a faixa “Nenhum Um” espetacular.

Começamos com o pé direito. Ali já me senti abraçado por este disco.

E percorrendo o resto do álbum fica claro todo o esmero com o instrumental e principalmente a percussão. Sim, toquei neste assunto novamente pois vocês precisam sentir isso, não apenas ouvir, é sentir. Melodias que esbanjam harmonia e cativam como poucas.

Mas o disco é muito mais que isso. A beleza dos metais na canção “Lances”, que dá nome ao disco, é estupenda. Para quem gosta de MPB mais clássica com acordes de violão percorrendo toda a música com certeza irá amar.

‘Lances’ é uma música que cumpre papel central no disco. É romântica e existencialista, melancólica e um pouco safada. E tem a ver com o tempo. Por que um lance é um lance (como diz MC Smith), é algo fugaz, mas eu acho que nem por isso deixa de ser algo impactante, que mexe com a gente. Ao mesmo tempo a palavra também remete para mim ao poema de Mallarmé, ‘Um Lance de Dados jamais abolirá o acaso’. Este poema é um marco da poesia moderna, ele inaugura a possibilidade de usarmos as palavras de maneira plástica, concreta, e de fato a nossa poesia concreta brasileira vem também muito desse gesto radical”, explica o músico.

Assista ao clipe da Canção Resta um Gesto

Sztu utilizou todos os recursos instrumentais para compor “Lances”. Envolvente, leve, delicado e sedutor. Se for elencar todas as qualidades do álbum irá faltar adjetivos.

As canções conseguem criar paisagens sonoras, muitas vezes me notei na natureza, sentindo o vento, vendo o verde, ouvindo os pássaros. Mas também me reconheci em uma noite melancólica com vinho olhando pela janela do quarto.

As letras também são um espetáculo à parte. Descobri que Sztu é estupendo quando senta para escrever. Nos últimos tempos tenho valorizado muito mais os escritos, e este álbum não me decepcionou.

Infelizmente são apenas 8 faixas, mas que faixas! Você se sentirá contemplado em algum momento, ou como no meu caso, em todos os momentos. A canção “Fogaréu e Aguaceiro” foi o destaque. Letra e harmonia perfeitas, exuberância de delicadeza e sentimentos.

O Disco

Capa do Disco por Maria Cau Levy

Lances” foi produzido por Sztu em parceria com Edu Camargo e Thiago Nassif e traz na banda núcleo os músicos: João Fidelis (Caixa Cubo) na bateria, Arthur Decloet (Música de Selvagem) no baixo, William Bica (Teto Preto) na percussão e trombone e Edu Camargo (MAWU) na guitarra.

Os outros componentes que acompanharam o músico nas gravações são bastante atuantes na cena musical contemporânea: Maria Beraldo (clarinete), Chicão Montorfano (teclados), Fernando Goldenberg (trompete e gaita), Guilherme Lirio (guitarra e sinths), Angelo Ursini (flauta, sax e pífanos), Chico França (bateria), Caio Falcão e Irene Rodevia (vozes).

O álbum foi gravado em 2017, porém, como Sztu passou alguns anos morando na Colômbia, o trabalho ficou parado e foi lançado apenas agora.

Eu achava importante estar no Brasil para lançar o disco. Mas eis que veio a pandemia e embora eu esteja de volta ao país, lanço o disco em condições de distanciamento. É irônico”, afirma o compositor.

O trabalho foi captado por Fábio Pinczowski no Estúdio Doze Dólares (São Paulo), mixado no Rio de Janeiro por Duda Melo, masterizado por Martin Scian e com produção executiva de Chico Oliva.

Lances” é uma sutileza flutuando por nossos ouvidos e apresentando nuances da MPB ao samba, da tropicália à vanguarda paulista, sendo como abraços reconfortantes nesse momento difícil que todos estamos passando.

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